Prefeitos discutem altos cachês de artistas em eventos públicos

Prefeitos discutem altos cachês de artistas em eventos públicos

De Sertão Central

Prefeitos de diversos municípios brasileiros vêm se reunindo para discutir os altos valores cobrados por artistas musicais para apresentações em eventos custeados com recursos públicos, como festas juninas, aniversários de cidades e grandes festivais regionais. O objetivo é buscar alternativas para conter gastos considerados excessivos e garantir maior responsabilidade fiscal.

O debate não é isolado e já ocorre em vários estados do país. Na Bahia, por exemplo, prefeitos ligados à União dos Municípios da Bahia (UPB) têm manifestado preocupação com o aumento expressivo dos cachês para o São João. Cidades como Cruz das Almas, Santo Antônio de Jesus, Jequié e Conceição da Feira discutem limites para as contratações e defendem maior valorização de artistas locais.

Ainda na Bahia, a Câmara Municipal de Feira de Santana debate projetos de lei que propõem a fixação de teto para cachês pagos pela prefeitura, após críticas sobre gastos elevados em eventos públicos.

No Rio Grande do Norte, os altos valores pagos a artistas nos festejos juninos de cidades como Natal e Mossoró também geraram forte repercussão, com cachês que ultrapassaram a casa de R$ 1 milhão, provocando questionamentos da população e de órgãos de controle.

No Ceará, o tema chegou ao Ministério Público. Em Ocara, o MP estadual abriu investigação para apurar cachês considerados elevados pagos durante eventos tradicionais do município, diante da realidade orçamentária local.

Já em Minas Gerais, contratações milionárias para shows em cidades de pequeno e médio porte também acenderam o alerta. Casos envolvendo artistas de grande projeção nacional geraram debates sobre prioridades administrativas e uso de recursos públicos, especialmente em municípios com dificuldades em áreas essenciais.

Diante desse cenário, prefeitos defendem ações conjuntas, como negociações regionais, compartilhamento de eventos e maior transparência nos contratos, como forma de equilibrar o incentivo à cultura e ao turismo com a responsabilidade na aplicação do dinheiro público.

Novas reuniões devem ocorrer nos próximos dias, e o tema deve ganhar ainda mais destaque à medida que se aproximam os principais calendários festivos do país.