Acadêmicos de Niterói é rebaixada para o grupo ouro em 2027

Acadêmicos de Niterói é rebaixada para o grupo ouro em 2027

Na avenida, a escola abordou a trajetória do político Lula e fez críticas indiretas a adversários políticos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a grupos “conservadores“.

 A escola de samba Acadêmicos de Niterói foi rebaixada para a Série Ouro em 2027, após apuração das notas dos desfiles do carnaval do Rio de Janeiro nesta quarta-feira, 18.

A inclusão do nome Lula na narrativa trouxe um novo contexto aos desfiles, refletindo as tensões políticas atuais.

A escola somou 264,6 pontos, desempenho que a colocou na última colocação do Grupo Especial. Sua pontuação ficou 2,8 pontos abaixo da Mocidade, 11ª colocada na classificação final.

Realizado no domingo, 15, o desfile da agremiação homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu samba-enredo.

Na avenida, a escola abordou a trajetória de Lula e fez crítica indiretas aos adversários do progressista, incluindo o ex-presidente e agora condenado e preso, Jair Bolsonaro (PL), e a grupos conservadores.

O samba-enredo levou o título “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.

O rebaixamento mantém a sequência recente de escolas recém-promovidas que não conseguem permanecer no Grupo Especial do Carnaval do Rio.

Nos últimos três anos, as agremiações que subiram do Grupo de Acesso no ano anterior acabaram rebaixadas na temporada seguinte. Em 2025, isso ocorreu com a Unidos de Padre Miguel. No ano anterior, em 2024, a queda atingiu a Porto da Pedra.

O desfile abriu uma disputa política e jurídica sobre os limites da liberdade artística e o uso de verba pública em ano eleitoral. Lula é pré-candidato à reeleição, e adversários alegam que o desfile teve caráter de campanha antecipada.

Desfile da Acadêmicos de Niterói — Foto Alexandre Cassiano -Agência O Globo

Contra-ataque da oposição ao governo Lula

Após o desfile, o partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência e filho do ex-presidente preso por ataque à democracia, Jair Bolsonaro, anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para pedir a inelegibilidade de Lula.

A alegação é a de que o Partido dos Trabalhadores (PT) utilizou dinheiro público para fazer campanha antecipada durante o carnaval.

A escola de samba recebeu R$ 1 milhão, parte de um total de R$ 12 milhões repassados pela Embratur à Liesa, a liga das escolas do Grupo Especial. Todas as escolas cariocas receberam o mesmo recurso, justificados como apoio à promoção internacional da cultura brasileira.

Além dos recursos da Embratur, a Acadêmicos de Niterói deve receber R$ 4,4 milhões da Prefeitura de Niterói.

Na petição apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido Novo argumentou que o desfile da Acadêmicos de Niterói ultrapassa os limites de uma manifestação cultural e mostra-se como uma propaganda eleitoral antecipada.

Segundo a legenda, o enredo associa a trajetória política de Lula a elementos característicos de campanhas eleitorais, como a menção direta à polarização das eleições de 2022, a reutilização de jingle e o uso de expressões que, conforme o partido, equivalem a um pedido explícito de voto.

A ação também aponta que o presidente de honra da escola, Anderson Pipico, é vereador em Niterói pelo PT. Para o Novo, isso compromete qualquer alegação de neutralidade artística na definição do samba-enredo que homenageia Lula.

Desfile da Acadêmicos de Niterói — Foto Domingos Peixoto-Agência O Globo

Decisão do TSE antes do desfile

Há uma semana, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou, por unanimidade, dois pedidos para que o desfile da Acadêmicos de Niterói não ocorresse por configurar propaganda eleitoral antecipada. As representações argumentavam que o samba-enredo que retrata a história do presidente Lula “ultrapassa o caráter cultural e se transforma em peça de promoção política, equivalente a um pedido implícito de voto”.

No entanto, os ministros da Corte afirmaram que a proibição antes de o desfile ocorrer configuraria censura prévia, mas ressaltaram que poderá haver punição futura caso ocorram ilícitos eleitorais na avenida.

Os ministros acompanharam a relatora, ministra Estela Aranha, que afirmou que a legislação proíbe o pedido explícito de voto em circunstâncias que não encontram juízo de certeza na primeira análise do caso.

Mesmo que a decisão tenha atingido o indeferimento da liminar, Carmen Lúcia esclarece que o processo continua, tanto que o Ministério Público já foi citado para se manifestar.