O município de Salgueiro, no sertão pernambucano, viveu momentos de “grande aperreio” com as chuvas que ocorreram no último dia 04 de março. As chuvas já aconteciam nos dias anteriores, na noite anterior, e na manhã do dia 04/03. Ao final da tarde foi que o grande transtorno aconteceu, com um volume de chuva muito grande caindo num curto período, inundando ruas, derrubando muros, árvores e deixando muitas casas alagadas.
Muitas pessoas perderam móveis e até uma moto foi vista sendo arrastada pelas águas. Vários canais da cidade transbordaram e alguns acessos foram dificultados pelos alagamentos. A rede de esgoto da cidade não foi suficiente para a drenagem das enchentes, inclusive acontecendo diversos retornos de água dos esgotos para dentro dos imóveis.

Para se chegar à rua da Bomba, se fazia necessário transitar pelo bairro Divino até a BR 232, descendo para o Copo de Cristal até acessar a avenida Major Antônio Rufino, sendo que na Praça Elias também estava com o trânsito comprometido. No bairro da Barriguda, os moradores ficaram ilhados devido às chuvas.
Com um vasto interior com estradas de terra, era impossível imaginar como se fazia para acessar o centro da cidade, uma vez que o solo da região ser barrento e de difícil locomoção, diante da situação de chuva.

Evidente que muitas outras cidades tiveram problemas semelhantes ou até piores do que Salgueiro. Tais desastres poderiam ser evitados caso os poderes públicos não permitissem construções em locais com problemas de alagamentos. Em vários casos, só haveriam uma solução caso desapropriassem essas áreas de risco, coisa muitas prefeituras negligenciam e quando menos se espera o pior acontece.

Evidente que isto não é um problema da administração atual e nem da que passou, mas de uma cultura de aglomeração em áreas próximos aos centros comerciais e órgãos estatais que ocorreram e foram se acumulando com o tempo e agora não há mais condições em resolver, só administrar o que já está posto.

Outros fatores como a mudança do clima também se somam ao que já foi descrito aqui, sendo isso uma das grandes causas dessas tragédias, misturada a aglomeração urbana.
O prefeito de Salgueiro, Fábio Lisandro, suspendeu as aulas da rede municipal, enquanto a GRE de Salgueiro seguiu a mesma linha, mantendo nas escolas apenas a equipe administrativa para gerenciar os estragos causados pelas chuvas e dar andamento às outras questões.

A Defesa Civil do município esteve em alerta para as ocorrências e o Corpo de Bombeiros agilizavam alguns resgates necessários na cidade.
É certo que o nordestino fica alegre quando a chuva começa a cair, sendo esta uma época de fartura para a agricultura. É certo também que tanta chuva acumulada mais atrapalha do que ajuda, não se tratando, porém, de um castigo divino, mas do desordenamento urbano com a falta de cuidado à verdadeira divindade que é a natureza.

*Imagens das redes sociais
