{"id":346,"date":"2025-09-26T00:00:38","date_gmt":"2025-09-26T03:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/?p=346"},"modified":"2025-09-25T21:06:27","modified_gmt":"2025-09-26T00:06:27","slug":"cajueiro-anao-resiliencia-e-inovacao-garantem-renda-para-familias-do-semiarido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/346\/","title":{"rendered":"Cajueiro-an\u00e3o: resili\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o garantem renda para fam\u00edlias do Semi\u00e1rido"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Fruto de d\u00e9cadas de pesquisa em melhoramento gen\u00e9tico, ele garante produ\u00e7\u00e3o mesmo em anos de severa estiagem na Caatinga<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Durante a seca que destruiu v\u00e1rias culturas no Nordeste entre 2012 e 2017, o cajueiro-an\u00e3o, tecnologia desenvolvida pela Embrapa Agroind\u00fastria Tropical (CE), mostrou a sua for\u00e7a na Caatinga. Resistente \u00e0 escassez h\u00eddrica e ao ataque de doen\u00e7as e pragas, como a mosca-branca, consolidou-se como importante via para garantir renda com sustentabilidade, (agr\u00edcola) para agricultores familiares do semi\u00e1rido nordestino.<\/p>\n<p>A rusticidade da esp\u00e9cie vem de mecanismos fisiol\u00f3gicos \u00fanicos. Diferente de muitas plantas, cujas folhas caem para evitar perda de \u00e1gua, o cajueiro mant\u00e9m a folhagem verde, reduzindo a transpira\u00e7\u00e3o sem interromper a fotoss\u00edntese, processo essencial para a sobreviv\u00eancia da planta. Tamb\u00e9m consegue melhorar a absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua do solo e at\u00e9 aproveitar a umidade da madrugada, t\u00edpica das noites mais amenas do sert\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cPoucas esp\u00e9cies frut\u00edferas conseguem produzir em pleno per\u00edodo seco. O auge da produ\u00e7\u00e3o do caju acontece no segundo semestre, justamente quando a maioria das plantas da Caatinga est\u00e1 em baixa atividade metab\u00f3lica devido \u00e0 falta de chuvas. \u00c9 nesse momento que o caju se torna fonte estrat\u00e9gica de renda. Esp\u00e9cies como o juazeiro, por exemplo, t\u00eam ra\u00edzes muito mais profundas, que lhes garante outra estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia. J\u00e1 o cajueiro, mesmo com ra\u00edzes menos profundas, consegue produzir no per\u00edodo seco. \u00c9 realmente incr\u00edvel\u201d, ressalta o pesquisador Marlos Bezerra, da Embrapa Agroind\u00fastria Tropical.<\/p>\n<p>Essas caracter\u00edsticas presentes nos clones de cajueiro-an\u00e3o, associadas a outras vantagens, fizeram muitos produtores migrar para a atividade na \u00faltima grande seca que dizimou outras culturas, inclusive plantios de antigos cajueiros gigantes. Com o cultivo desses clones associado aos tratos culturais adequados \u00e9 poss\u00edvel obter, no m\u00ednimo, o dobro da produtividade registrada nos tradicionais cultivos de cajueiro gigante.\u00a0 Os produtores ainda contam com a vantagem de aproveitar o ped\u00fanculo, o que torna a atividade mais atraente economicamente.<\/p>\n<p>Para Bezerra, al\u00e9m da quest\u00e3o da sustentabilidade econ\u00f4mica, o cajueiro-an\u00e3o oferece uma op\u00e7\u00e3o de cultura amig\u00e1vel ao fortalecimento da biodiversidade local, principalmente quando cultivado em sistemas agroecol\u00f3gicos ou integrados, como a Integra\u00e7\u00e3o Lavoura-Pecu\u00e1ria-Floresta (ILPF). Os pomares atraem abelhas, ret\u00eam umidade no entorno e favorecem a presen\u00e7a de pequenos animais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-348 alignleft\" src=\"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250916_ResilienciaCaju-Anao_Divulgacao_cajueiro-300x214.jpg\" alt=\"\" width=\"462\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250916_ResilienciaCaju-Anao_Divulgacao_cajueiro-300x214.jpg 300w, https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250916_ResilienciaCaju-Anao_Divulgacao_cajueiro-768x548.jpg 768w, https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/250916_ResilienciaCaju-Anao_Divulgacao_cajueiro.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 462px) 100vw, 462px\" \/><\/p>\n<h3><strong>Melhoramento gen\u00e9tico<\/strong><\/h3>\n<p>O Programa de Melhoramento Gen\u00e9tico da Embrapa desenvolveu clones mais produtivos, resistentes e adaptados a diferentes condi\u00e7\u00f5es.\u00a0 Segundo Bezerra, os clones perderam parte da rusticidade dos cajueiros tradicionais, mas ainda preservam uma toler\u00e2ncia importante. \u201cEm condi\u00e7\u00f5es adversas, produzem menos, mas n\u00e3o deixam de produzir, diferente de outras culturas\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Essa estabilidade \u00e9 estrat\u00e9gica para a agricultura no semi\u00e1rido. Alguns clones da Embrapa, como o BRS 226, foram selecionados em regi\u00f5es extremamente secas, como o Piau\u00ed, e se destacam pela capacidade de suportar solos arenosos e com alum\u00ednio. Outros, como o CCP 51, tamb\u00e9m t\u00eam resist\u00eancia comprovada e se mostraram est\u00e1veis durante a grande seca da \u00faltima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O pesquisador Gustavo Saavedra, chefe-geral da Embrapa Agroind\u00fastria Tropical, explica que essas caracter\u00edsticas s\u00e3o essenciais para garantir a continuidade da cultura e seguran\u00e7a para os produtores. Quem planta os clones da Embrapa sabe que vai colher, com ou sem chuvas. Enquanto outras frut\u00edferas necessitam de altas quantidades de \u00e1gua, o cajueiro consegue produzir bem com uma precipita\u00e7\u00e3o anual entre 600 e 800 mil\u00edmetros. Em anos de elevados d\u00e9ficits h\u00eddricos s\u00e3o esses materiais gen\u00e9ticos que se mant\u00eam produtivos no pomar.<\/p>\n<p>\u201cNo contexto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a tend\u00eancia \u00e9 que algumas regi\u00f5es tenham maior redu\u00e7\u00e3o de chuvas e, nestas condi\u00e7\u00f5es, o cajueiro se sobressai como uma planta resiliente e bem adaptada. Pensando no Nordeste, em especial no Semi\u00e1rido, desenvolvemos clones para a produ\u00e7\u00e3o em sistema de sequeiro, com alta performance produtiva e que, bem manejados, podem superar os par\u00e2metros de produ\u00e7\u00e3o definidos pela pesquisa\u201d, ressalta Saavedra.<\/p>\n<p>O especialista acrescenta, ainda, que em localidades onde outras alternativas agr\u00edcolas s\u00e3o invi\u00e1veis, o cajueiro proporciona renda e prosperidade e pode contribuir para o desenvolvimento de uma classe m\u00e9dia rural.<\/p>\n<h3><strong>Recome\u00e7o no campo<\/strong><\/h3>\n<p>A produtora Najara Melo, do Rio Grande do Norte, conhece bem essas caracter\u00edsticas do cajueiro.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-349 alignright\" src=\"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Cajueiro-produtora-2-277x300.jpg\" alt=\"\" width=\"441\" height=\"477\" srcset=\"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Cajueiro-produtora-2-277x300.jpg 277w, https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Cajueiro-produtora-2.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 441px) 100vw, 441px\" \/>\u00a0Ao lado dos irm\u00e3os, administra uma \u00e1rea de 1.400 hectares dedicados \u00e0 cajucultura. A severa seca do in\u00edcio da d\u00e9cada passada e o ataque da mosca-branca praticamente devastaram os plantios de cajueiro gigante na sua propriedade &#8211; cerca de 95% das plantas n\u00e3o resistiram. \u201cFoi um per\u00edodo dur\u00edssimo. A gente viu pomares inteiros morrerem, mas nunca pensou em abandonar o caju. Pelo contr\u00e1rio, percebemos que precis\u00e1vamos recome\u00e7ar de forma diferente, com novas tecnologias\u201d, relembra.<\/p>\n<p>O recome\u00e7o veio em 2016, com o replantio em grande escala, usando clones de cajueiro-an\u00e3o. Junto com as mudas, a fam\u00edlia adotou pr\u00e1ticas adequadas de manejo: podas, nutri\u00e7\u00e3o, controle preventivo de pragas e mecaniza\u00e7\u00e3o de parte dos tratos culturais. O resultado n\u00e3o tardou a aparecer. \u201cQuando passamos a adotar esse manejo, conseguimos elevar a produtividade por hectare e alcan\u00e7amos frutos e castanhas de qualidade superior\u201d, conta Najara.<\/p>\n<p>Hoje os Melo festejam uma produtividade que chega, em anos bons, a dois mil quilos de castanha por hectare ao ano. O modelo de neg\u00f3cio adotado pela fam\u00edlia se mostra sustent\u00e1vel pelo aproveitamento integral. \u201cO cajueiro \u00e9 uma planta m\u00e1gica, porque tudo nele tem valor: a castanha, o ped\u00fanculo, o caju de mesa, o suco para a ind\u00fastria e at\u00e9 a lenha resultante da poda\u201d, explica a produtora.<\/p>\n<h3><strong>Cultura para gera\u00e7\u00f5es futuras<\/strong><\/h3>\n<p>Al\u00e9m de investimentos em tecnologias, o sucesso da cajucultura depende de conhecimentos tamb\u00e9m sobre a gest\u00e3o da atividade produtiva. Esse processo envolve um conjunto de pr\u00e1ticas para a melhoria da produ\u00e7\u00e3o, desde a escolha da \u00e1rea, acesso a insumos, diversifica\u00e7\u00e3o de produtos e agrega\u00e7\u00e3o de valor, at\u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o. Institui\u00e7\u00f5es como o Servi\u00e7o Brasileiro de Apoio \u00e0s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) atuam para a melhoria das pr\u00e1ticas produtivas e de gest\u00e3o da cultura do caju em diferentes estados do Nordeste.<\/p>\n<p>De acordo com o gestor de projetos do Sebrae da Para\u00edba, Pablo Queiroz, que acompanha produtores rurais do estado que est\u00e3o iniciando a produ\u00e7\u00e3o de caju, uma gest\u00e3o eficiente possibilita o planejamento financeiro da atividade produtiva, o controle dos gastos, a maximiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e a tomada de decis\u00f5es. Entender os custos de produ\u00e7\u00e3o e gerir bem a atividade ajuda a garantir rentabilidade e a perman\u00eancia da cultura como neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>\u201cAtendemos produtores com diferentes perfis, mas principalmente agricultores familiares, com orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e subs\u00eddio financeiro para viabilizar a gest\u00e3o da propriedade e a produ\u00e7\u00e3o. Para essa consultoria, levantamos as necessidades de cada agricultor nas diferentes etapas da cultura e orientamos a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas voltadas para a melhoria de processos produtivos &#8211; do campo \u00e0 prateleira. Isso inclui desde a escolha da \u00e1rea, acesso a insumos, diversifica\u00e7\u00e3o de produtos e agrega\u00e7\u00e3o de valor, at\u00e9 a comercializa\u00e7\u00e3o. Uma gest\u00e3o bem feita organiza o neg\u00f3cio, melhora os resultados, aumenta a produtividade, minimiza riscos e contribui para assegurar a cultura para gera\u00e7\u00f5es futuras\u201d, explica.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.embrapa.br\/busca-de-noticias\/-\/noticia\/103102992\/cajueiro-anao-resiliencia-e-inovacao-garantem-renda-para-familias-do-semiarido\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Embrapa<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fruto de d\u00e9cadas de pesquisa em melhoramento gen\u00e9tico, ele garante produ\u00e7\u00e3o mesmo em anos de severa estiagem na Caatinga Durante a seca que destruiu v\u00e1rias culturas no Nordeste entre 2012&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":347,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_bbp_topic_count":0,"_bbp_reply_count":0,"_bbp_total_topic_count":0,"_bbp_total_reply_count":0,"_bbp_voice_count":0,"_bbp_anonymous_reply_count":0,"_bbp_topic_count_hidden":0,"_bbp_reply_count_hidden":0,"_bbp_forum_subforum_count":0,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-346","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=346"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":351,"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/346\/revisions\/351"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/347"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/puxandoassunto.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}